terça-feira, 24 de novembro de 2009
a caminho do Brasil
hoje começa o caminho de volta: Lisboa, Madri, São Paulo. Porto Alegre só depois de alguns dias na capital paulista, onde participo de mais um congresso. No blog do GPJor há mais detalhes. Passa lá.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
em amarelo-torrado a gula não é pecado
a gula não é pecado. se o fosse, os monges e monjas não teriam combinado as gemas ao açúcar. reza a lenda que os doces conventuais surgiram com o propósito de dar utilidade a parte amarela dos ovos, já que aos monges e monjas o quê realmente lhes interessava era os hábitos engomados com clara (a custa de muitas delas, devo informar-lhes). os doces conventuais surgiram como que para evitar o desperdício.
imagino o silêncio clausural rompido pelo diálogo:
- afinal, que destino dar as gemas?
- hum...gema tem a cor do ouro brasileiro. mas de ouro nossas igrejas já estão cheias...
- temos também açúcar brasileiro, pois.
- pronto. gemas e açúcar.
pouco a pouco o refeitório, a sala do capítulo, o claustro (talvez até igreja) foram tomados pelo amarelo-torrado. ouro para os olhos, ouro para o paladar.
toucinho do céu (do céu!), castanhas de ovos, cornucópias, lampreia de ovos, queijadas e pastéis de Tentúgal foram algumas das delícias da Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais, realizada em Alcobaça. Conhecida como Terra de Paixão, a mostra foi realizada no interior do famoso Convento de Alcobaça, onde estão sepultados D. Inês e D. Pedro e um amor impossibilitado, pela morte, de ser concretizado em vida.
além dos doces, havia licores... é que os monjes, como eu, acreditavam no poder terapêutico dos licores.
ps.: este post é para a Verinha, para quem amarelo-torrado não é pecado. e certa está ela.
imagino o silêncio clausural rompido pelo diálogo:
- afinal, que destino dar as gemas?
- hum...gema tem a cor do ouro brasileiro. mas de ouro nossas igrejas já estão cheias...
- temos também açúcar brasileiro, pois.
- pronto. gemas e açúcar.
pouco a pouco o refeitório, a sala do capítulo, o claustro (talvez até igreja) foram tomados pelo amarelo-torrado. ouro para os olhos, ouro para o paladar.
toucinho do céu (do céu!), castanhas de ovos, cornucópias, lampreia de ovos, queijadas e pastéis de Tentúgal foram algumas das delícias da Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais, realizada em Alcobaça. Conhecida como Terra de Paixão, a mostra foi realizada no interior do famoso Convento de Alcobaça, onde estão sepultados D. Inês e D. Pedro e um amor impossibilitado, pela morte, de ser concretizado em vida.
além dos doces, havia licores... é que os monjes, como eu, acreditavam no poder terapêutico dos licores.
ps.: este post é para a Verinha, para quem amarelo-torrado não é pecado. e certa está ela.
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domingo, 15 de novembro de 2009
em Nazaré, há nazarés
há o vai e vem das ondas. o casario branco. os peixes a secar no areal, sob o sol, a beira mar. há o sobe e desce do ascensor, porque a praia e o mar do alto podem ser apreciados. há o para lá e para cá dos nazarenos. das camisas xadrezes e calças pretas. dos saiotes, em número de sete, e dos lenços sobre os ombros e os cabelos. há o vai e vem das ondas. o tempo das águas. das tranquilas a chegar até a praia, onde as gaivotas estão a espreitar. também das rápidas a chocar-se contra os rochedos que sobre o mar projetam-se em penhascos. há o sobe e desce do ascensor. porque é no alto que estão o forte e o farol. também a peregrinação, aos pés de Nazaré, a nossa senhora. há o para lá e para cá dos nazarenos. das mulheres em cores. a das roupas e a dos barquinhos. as do mar que, além de alimento, é regresso. das mulheres em negro. do luto. permanente ausência a chorar pelos náufragos. há o vai e vem. há o sobe e desce. há o para lá e para cá. há Nazaré.
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sábado, 14 de novembro de 2009
Óbidos, a vila medieval e o casario caiado
contidas entre os muros das ruínas de Óbidos e de seu castelo medieval, o casario disputa o pouco espaço e se exibe entre ruelas estreitas e sinuosas. iluminadas, porém, pelas paredes caiadas, as casinhas têm um pouco de azul e amarelo como que a adorná-las. o castelo, hoje hotel, guarda lembranças de um tempo longíquo, quando os mouros por aqui estavam. apesar de próxima, a vila de Óbidos parece distante pelo arrastar-se do comboio em meio a um cenário bucólico. a paragem, de tempos idos, é partida e chegada. é permanecer. perpetuar talvez.
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
conferência sobre guerra e terrorismo
para quem acompanha minha pesquisa de doutoramento sabe que os temas listados no título desse post são de meu interesse, porque, de certa forma, tangenciam minha investigação. eis que aqui em Lisboa participei de uma conferência do professor António Horta Fernandes, da Universidade Nova de Lisboa, sobre esses assuntos, numa atividade mais ampla, denominada Escola de Outono, realizada em parceria com uma instituição francesa, o Institut d'Études Politiques, mais o Observatório Político. conto mais lá no blog do GPJor. vai lá.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
na Nova de Lisboa
entre muitos livros, enquanto os dias a correr lá fora.
tenho aproveitado (e muito) o acervo da Nova de Lisboa. também o silêncio sagrado desse lugar.
tenho aproveitado (e muito) o acervo da Nova de Lisboa. também o silêncio sagrado desse lugar.
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domingo, 8 de novembro de 2009
porque Lisboa é azul e amarelo (imensos) ou (simplesmente) cinza
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009
é de arrepiar
nem só de gemas vive a doçaria portuguesa. entre pastéis de nata, guardanapos com creme de ovos, travesseiros de piriquita recheados com ovos moles, o próprio e em fios (meu pai diria ovos desfiados) há um transgressor. diria mais: transgressor de dois mundos. o daqui, porque ingnora os ovos. o de lá, porque não é de amendoim, apesar da imagem sugerir o contrário. chama-se arrepio. o nome, porém, não diz muito do que se trata: uma espécie de pé-de-moleque de amêndoas e canela. por outro lado, o nome diz a que veio: o arrepio é de arrepiar.
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domingo, 1 de novembro de 2009
palavras minhas
os últimos têm sido assim. dias de escritura. dias e horas. livros e anotações. cadernos. livros e riscos, também asteriscos a chamar minha atenção. os próximos serão assim. dias de escritura. dias e horas. livros e anotações. cadernos. livros e marcadores, vários, a zelar por palavras outras. dias e horas. palavras minhas. também outras, de empréstimo. texto meu.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
o quanto me basta, me resta
resta-me a lembrança de dias e lugares lindos.
resta-me o sabor do bacalhau e do vinho - do tinto, do branco, do verde -, dos pastéis e cafés com natas.
resta-me o traçado das ruas e as calçadas escorregadias.
resta-me o vento dos fins de tarde a anunciar a noite.
resta-me a certeza de bons tempos, os já vividos e os que se aproximam.
dias. restam-me poucos por aqui. entre dias e noites, desfiz-me de sessenta.
resta-me pouco mais de vinte antes de seguir.
resta-me ser ainda mais feliz, como a cada novo dia sou.
resta-me o sabor do bacalhau e do vinho - do tinto, do branco, do verde -, dos pastéis e cafés com natas.
resta-me o traçado das ruas e as calçadas escorregadias.
resta-me o vento dos fins de tarde a anunciar a noite.
resta-me a certeza de bons tempos, os já vividos e os que se aproximam.
dias. restam-me poucos por aqui. entre dias e noites, desfiz-me de sessenta.
resta-me pouco mais de vinte antes de seguir.
resta-me ser ainda mais feliz, como a cada novo dia sou.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
o amarelo torna-se ouro
exige-se atenção. para desníveis no caminhar. para detalhes que encantam o olhar. para a possibilidade de ter perto o distante.
exige-se sintonia. exige-se silêncio. e mais, paciência. contemplação.
nada mais a fazer. o resto cabe ao sol, que ao saltitar daqui para lá, ora a fugir das nuvens, ora a refugiar-se entre elas, colore o que há diante do olhar. altera nuances. impõe contrastes. o amarelo torna-se ouro. o branco, prata. o vermelho, cobre.
ao final da jornada, no instante de recolher-se, o sol posiciona-se entre o céu e o mar. confunde-os e ao olhar também. vem as cores do entardecer. é chegada a hora de fazer o caminho de volta. Sintra fica. a vontade de também permanecer invade-nos. divide o espaço com o encantamento que se impõe.
o amarelo torna-se ouro. o branco. o vermelho.
exige-se sintonia. exige-se silêncio. e mais, paciência. contemplação.
nada mais a fazer. o resto cabe ao sol, que ao saltitar daqui para lá, ora a fugir das nuvens, ora a refugiar-se entre elas, colore o que há diante do olhar. altera nuances. impõe contrastes. o amarelo torna-se ouro. o branco, prata. o vermelho, cobre.
ao final da jornada, no instante de recolher-se, o sol posiciona-se entre o céu e o mar. confunde-os e ao olhar também. vem as cores do entardecer. é chegada a hora de fazer o caminho de volta. Sintra fica. a vontade de também permanecer invade-nos. divide o espaço com o encantamento que se impõe.
o amarelo torna-se ouro. o branco. o vermelho.
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domingo, 25 de outubro de 2009
domingo a ler
levei Kapuściński ao parque Eduardo VII de Inglaterra e lá passamos o domigo a ler.
detalhes. Kapuściński me falou deles. disse-me: "dentro de una gota hay un universo entero".
me falou mais. de sua experiência como correspondente internacional.
companhia agradável num domingo igualmente. a do repórter do século.
detalhes. Kapuściński me falou deles. disse-me: "dentro de una gota hay un universo entero".
me falou mais. de sua experiência como correspondente internacional.
companhia agradável num domingo igualmente. a do repórter do século.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
voltar uma hora atrás
tick-tock. tick-tock. recuar uma hora.
tic-tac. tic-tac.avançar uma.
tick-tock. tick-tock. noites a cair mais cedo.
tic-tac. tic-tac. dias a durar mais.
tick-tock. tick-tock. horário de inverno.
tic-tac. tic-tac. do verão é o horário.
tick-tock. tic-tac. duas horas a nos separar.
tock. tock. tock.
tic-tac. tic-tac.avançar uma.
tick-tock. tick-tock. noites a cair mais cedo.
tic-tac. tic-tac. dias a durar mais.
tick-tock. tick-tock. horário de inverno.
tic-tac. tic-tac. do verão é o horário.
tick-tock. tic-tac. duas horas a nos separar.
tock. tock. tock.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
outono. o segundo.
hoje creio mais que ontem e ainda mais que antes de ontem que, enfim, o outono está a outonar.
o cinza está a colorir o dia - ou a descolori-lo? - e o frio a esfriá-lo.
creio em outono. no segundo.
o cinza está a colorir o dia - ou a descolori-lo? - e o frio a esfriá-lo.
creio em outono. no segundo.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
50 anos de telejornal em Portugal
eu não estudo TV, tampouco telejornalismo. mas, participei de conferência, em Lisboa, sobre os 50 anos de Telejornal, programa da RTP - Rádio e Televisão Portugal, emissora pública. foi um dia de aprendizados inúmeros. um deles: Portugal passou a ter TVs privadas apenas nos anos 90. foram 40 anos de monopólio.
conto mais lá no blog do GPJor. vai lá.
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